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Você se considera livre? Algumas pessoas vivem em determinadas prisões ou amarras e não conseguem se desprender. Passam anos e mais anos e continuam aprisionadas. Com isso, se angustiam, ficam tristes, parece que o mundo perde o colorido e só conseguem enxergar a vida de forma monocromática, só têm um olhar, só vêem um ponto. Algumas vivem em culpa, acham que são um lixo, que não prestam e que já erraram tanto que não tem mais jeito.
Nesta mensagem você encontrará uma excelente notícia. Há uma pessoa que transforma nosso ser e nos possibilita uma visão diferente da vida.
Ela devolve o colorido da vida e faz-nos olhar de forma diferente, para nós e para o outro.
O evangelista João apresenta Jesus de forma fantástica. Ele viu, testemunhou o milagre de Deus no meio do povo. Viu o que Jesus fez e como Ele transformou pessoas que não tinham mais esperança, viviam em meio às dores e decepções, viviam angustiadas. Jesus mudou completamente muitas vidas e também quer mudar a sua!
Explicação
O Evangelho de João enfatiza a questão da verdade, que é Jesus, e argumenta que quem conhece Jesus encontra a liberdade. Ele relaciona verdade, conhecimento e liberdade. São três questões importantes e muito argumentadas por vários estudiosos ao longo dos séculos. Muitos, querendo descobrir a verdade, entram na intelectualidade e acabam se perdendo nas letras, no próprio conhecimento e, em vez de serem libertos, acabam se aprisionando nos próprios conhecimentos e nos conceitos, muitas vezes, obscuros e sem comprovações.
Conhecer é ouvir entendendo. É aceitar a palavra da revelação que abre o conhecimento. João traz esse argumento e diz que é conhecer Jesus, sua obra e pessoa, como na oração sacerdotal: “Porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste” (João 17.8). João volta sua atenção para Jesus e diz que é preciso conhecê-lo profundamente e entender que Ele é o caminho da liberdade, Ele é a ressurreição e a vida, é o pão que alimenta e a água que mata a sede.
Outro termo importante é a verdade (aletheia). Em 25 ocorrências no Novo Testamento, 20 vezes aparecem em João, que apresenta a verdade em contraste com a mentira. Não ter a verdade é ser enganado. Assim, João ressalta que o testemunho de Cristo é verdadeiro. Desta forma, aletheia tem um sentido de validade, pois o testemunho de Jesus Cristo é válido, porque não há tribunal de recurso mais alto do que o próprio Deus. Jesus é a verdade que liberta, mas com realidade divina salvífica e, com isso, como libertação do pecado.
O terceiro termo relatado nesse versículo é o objetivo de conhecer a verdade. O conhecimento da verdade, de Jesus, traz liberdade para o ser humano. Mas, o que é liberdade? Podemos verificar algumas argumentações para uma melhor compreensão.
Eleutheria, liberdade, surgiu originalmente em contraste com escravidão. Eleutheros significa, então, ser livre, não atado, de nascimento livre. Num sentido político antigo, é o cidadão de plenos direitos, pertencente ao Estado e que desfruta de direito de palavra, compra, venda, enfim, direito de cidadão. O escravo não tinha esses direitos, pois não era dono nem do próprio corpo. Aristóteles falava que a cidade (polis) era pra ser a comunidade dos livres.
João argumenta sobre liberdade e fala que ela está ligada a Jesus, pois Ele nos liberta da condenação do pecado, nos tira da amarra da escravidão e nos coloca como cidadãos no Reino de Deus. Somente Jesus pode abrir a possibilidade da existência na eleutheria: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). A libertação é dom gratuito de Deus, sendo a lei do Espírito que vivifica, libertando da lei do pecado: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8.2).
A liberdade tem um aspecto presente e um aspecto futuro. “Quem crê já é uma nova criatura (2 Coríntios 5.17) e não está mais subjugado à compulsão de se auto-salvar decisivamente pelo cumprimento de normas. Está livre de forças que o mandem apoiar-se em si mesmo e o mantenham preso da prisão do seu próprio eu. Já é cidadão do mundo futuro (Filipenses 3.20) e filho de Deus” (BAUER, p.239).
No texto de nossa meditação verificamos que Jesus é a verdade que liberta. Assim temos liberdade para viver a vida e podemos viver:
1) Livres das amarras
Há muitas coisas que nos escravizam. Mas, tem uma que é tenebrosa e é discutida no Evangelho de João e nos demais Evangelhos, que se chama pecado, que é responsável pelas demais escravidões. Observe que Jesus está argumentando com os judeus e diz que “se não credes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados” (João 8.24b). Eles contra argumentam e falam que não são escravos de ninguém e são filhos de Abraão. Mas, Jesus diz que “todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8.34b). O texto segue e Jesus diz que “se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). Os livres não são os descendentes físicos de Abraão, mas somente aqueles que o Filho libertou.
Jesus quebra as correntes e livra-nos daquilo que nos condenava, livra-nos do domínio do pecado. Porém, liberdade não é arbitrariedade, mas vida nova a serviço de Cristo. Estar livre do pecado significa estar a serviço da justiça, livre para cumprir a vontade de Deus, livres de nós mesmos.
Aquilo que nos aprisiona faz mal, deixa-nos inseguros, tristes, coloca-nos pra baixo, cria até depressões graves. Às vezes ficamos aprisionados aos ritualismos e práticas religiosas que Deus não colocou. Nós mesmos criamos muitas amarras e ficamos presos nelas. Mas Jesus veio nos libertar, do jugo da escravidão, da culpa, da condenação eterna e possibilita-nos viver de forma livre.
2) Livres para viver
Algumas perguntas são importantes nesse momento, tais como: Você é livre? Você é livre para viver a vida? Falando dessa forma parece até uma redundância. Mas, pare e pense: vivemos realmente aproveitando o que Deus nos oferece?
Pensando na teologia Joanina, verificamos que a liberdade tem um aspecto presente e um aspecto futuro. Já somos livres das amarras do pecado, daquilo que nos condenava. Isso possibilita o futuro, significa que estaremos com Jesus e não seremos condenados à morte eterna. Jesus nos garantiu o céu e estaremos com o Pai na glória. Embora essa seja uma realidade futura, contudo, podemos viver a liberdade da condenação no presente. Porém, às vezes, não vivemos o presente verdadeiramente livres, pois ficamos aprisionados a muitas coisas. Desta forma, precisamos viver da seguinte maneira:
- A) Livres pelo Espírito. A verdadeira liberdade existe quando o Espírito opera no ser humano, tornando-se o princípio em sua vida, e onde a pessoa não bloqueia a Sua operação. Na segunda carta aos Coríntios 3.17, Paulo afirma o seguinte: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. Liberdade de ação, não uma prisão dos desejos da carne. Liberdade para realizar a vontade de Deus, pois, se não somos impulsionados pelo Espírito, caímos novamente nas artimanhas do coração. Parece até que não somos livres e vivemos essa liberdade. Pense: você está no vício? Consegue dizer não aos desejos que, muitas vezes controlam você, entristecem sua vida e causam constrangimento? Caso isso seja uma dificuldade pra você, faça o seguinte: Se entregue a Jesus e seja controlado pelo Espírito.
- B) Liberdade como um alvo. Não devemos abusar da liberdade e termos um pretexto para o mal. Isto ocorre quando a liberdade é mal entendida e o ser humano quer ser senhor de todas as decisões. A pessoa verdadeiramente livre demonstra sua liberdade ao ficar livre para o serviço de Deus e ao seu próximo. Martinho Lutero falou certa vez: “O cristão é um senhor de tudo, perfeitamente livre, sujeito a ninguém. O cristão é um servo perfeitamente cumpridor dos seus deveres, sujeito a todos”. O fator decisivo é que ele deve ser prestado com amor. Quanto mais profundamente a pessoa se aprofunda na lei da liberdade, tanto mais livre se torna para este tipo de ação.
Conclusão
Quero concluir essa mensagem com uma história infantil, mas de muita relevância. Minha filha gosta da história do Dadá, um dragãozinho diferente. Ela pede para eu contar essa história várias vezes e se encanta em todas as vezes que conto, dando sorrisos e ficando feliz. A história é assim:
O Pequeno Dragão - Pedro Bandeira e Carlos Edgar Herrero (Editora Moderna).
Dadá era um dragãozinho diferente dos demais, tinha apenas uma cabecinha. Ele estudava na escola de dragões, que ficava em um vulcão. Tudo ao seu redor era cinza e feio. Havia pântanos, árvores sem folhas, chão sem vida. Ele estudava na escola de dragões, mas, vivia reprovando nas matérias, pois não sabia fazer desenhos assustadores e nem povoar os sonhos das crianças de terror.
A professora ficava preocupada com Dadá, pois ele não sabia soltar fogo pela goela e a prova final era derreter uma pedra com fogo da goela.
Como não passou na prova, ele foi expulso da escola e do vulcão. Sem rumo e sem casa, ele voou triste e solitário. Mas, de repente, ele começa a se sentir livre para ir aonde quisesse e fazer o que quisesse. “Livre para ser livre”.
Dadá, voando por cima do pântano feio e sem vida, com toda sua liberdade e munido de felicidade, dá um grande grito. Nesse momento, de sua goela saíram flores e logo se espalharam pelos pântanos, enfeitando tudo ao seu redor. Assim dizem os autores: “E as flores foram se espalhando por cima dos pântanos... colorindo as árvores... enfeitando as matas... transformando o mundo em beleza!”
Esta é uma história, um conto. Mas, pense bem, podemos olhar para tudo o que falamos até aqui e percebermos que alguns vivem aprisionados. João fala que Cristo nos liberta e, através da liberdade espiritual, podemos ver e viver a vida de forma diferente. Podemos apreciar as belezas que Deus criou e aproveitar cada uma delas. Podemos ver a vida com o seu colorido. Podemos voar com liberdade e viver melhor com nossa família, com o próximo, conosco mesmos. Podemos povoar o local onde estamos com belas coisas, com alegria, bom humor, felicidade. Podemos espalhar a água viva e regar a boa terra que vivemos. Do interior da pessoa liberta procedem boas coisas, pois o que nos domina é um coração transformado e que quer fazer diferente.
Minha oração é que você viva livre e viva para Deus! Bênção pra você!
Nos encontramos na Av. Heitor Beltrão, 18, Tijuca-RJ, todos os domingos às 18h. Espero por você com mais uma mensagem. Até lá!
(Rev. Hélio Gomes Paulo) |
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