Início » Artigos » Pregações e Esboços »
Mensagem: Viva com sensatez! PDF Imprimir E-mail
Qui, 22 de Setembro de 2011 14:47
sensatez

LUCAS 12.13-21

             O mundo que vivemos parece que perdeu a sensatez. Nós queremos consumir, obter, ter prazer, custe o que custar. A vida volta-se para cada pessoa e muitos já não conseguem mais olhar para fora e nem para cima. Esquecem do próximo e até de Deus. Muitos só olham para si e só se vêem. E você, como está vivendo?

            O texto de Lucas apresenta Jesus ensinando e o surgimento de uma pessoa que faz uma solicitação. Veja se esta história é semelhante a sua história ou tem pontos de semelhança.

Explicação:

            O texto inicia dizendo que "alguém dentre a multidão lhe disse: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança".

Jesus vem de um discurso e é interrompido por um anônimo que coloca uma questão. Será que ele é um representante do povo um uma pessoa em particular? Sua pergunta é um questionamento de muitos ou é individualizada? Alguém apela para o Mestre, o Rabi, aquele que tem o conhecimento da lei e pode legislar sobre seus discípulos, inclusive por sua causa. A pessoa está decidida e precisa da autorização do Mestre, para que sua vontade seja feita, não a de Jesus, e, sim, a dele. Ele decidiu em seu coração e não vê outra perspectiva a não ser a sua, ele quer seus direitos. Muito provavelmente já até cortou relações com seu irmão, a ponto de pedir ao Mestre, o Rabi, o Juiz, para que olhe por sua causa. Mas, Jesus não toma decisão sobre a questão, não legisla e nem apresenta parecer algum. Jesus não será o repartidor na causa da Palestina, sua influência não é política, muito pelo contrário, Ele é o reconciliador e apresenta outro caminho.

Jesus faz uma advertência e pede para tomar cuidado, evitando a cobiça e a insensatez. Há um desejo insaciável, algo que é uma motivação e movimenta sua trajetória, gerando ambição e até mesmo querendo envolver Jesus em seus desejos. A posse é sua meta, tornar-se rico e ter abundância de bens corre em suas veias e domina o seu ser.

Jesus apresenta uma parábola de um rico insensato. Vamos à parábola.   

            Um homem rico, cheio de posses, produziu com fartura, com mais ganhos ainda. E agora?

 1)     O que farei? (v.17)

Ele tem uma questão em suas mãos e quer uma definição. Surge um pensamento, seu cognitivo entra em ação e vai exatamente para aquilo que está acostumado a pensar: armazenar, estocar, guardar, entesourar. Eu quero é mais, produzo mais, vou ficar mais rico ainda! Os bens ainda não adquiridos são o seu problema e meta.

Ele nem se permite pensar diferente. Não busca conselho de nenhuma parte, nem de Deus, nem dos seus parentes, dos amigos, companheiros da fazenda, nada. Caminha em direção do que está acostumado a pensar.

Antes de tomar alguma decisão em nossa vida sempre pensamos. O pensamento é algo presente e não tem como fugir dele, ele simplesmente surge. Pensamos com aquilo que temos e aprendemos ao longo da vida. Por exemplo: quando Jesus fora traído por Judas e os soldados foram prendê-lo, Pedro pegou sua espada e foi para o ataque (Lucas 22.47-53). Pedro pensou e agiu com o que tinha. Jesus fala para Pedro parar com aquela atitude e apresenta outro caminho, ele restaura a orelha cortada do soldado.

A pergunta do rico na parábola é a pergunta do anônimo e de muitas pessoas. Porém, é importante pensar um novo caminho, ter nova perspectiva, pois ela trará novo direcionamento para nossa vida, não o voltado para o ego, de si e para si, pois sempre ficará numa prisão sem fim, que ele mesmo construiu.

Diante do pensamento direcionado, surge algo interessante e um planajamento:

 2)     Vou fazer isto! (v.18)

Depois do pensamento vem a ação. Essa ação é presente, mas, também, futura. O que fazemos hoje segue para o amanhã. Fazemos o que pensamos, planejamos, decidimos.

Derrubarei e edificarei outros maiores. Vou construir mais e armazenar mais! Ele segue naquilo que havia pensado. Seu planejamento é o voltado para si: colocarei todo o meu cereal e os meus bens!

Notemos no texto uma volta para ele mesmo: derrubarei, edificarei, colocarei; o meu cereal, os meus bens, direi a mim mesmo (minha alma): come, bebe, alegra-te. Será que ele não tem mais ninguém na vida? Onde estão os parentes, os amigos, os empregados? Não vai dar uma festa, como fez o pai do filho pródigo? (Lucas 15.21-24). Essa insensatez e volta para si é perigosa, como diz o texto de Eclesiastes 5.10 "Quem ama o dinheiro nunca terá o suficiente; quem ama riqueza nunca ficará satisfeito com o lucro. Isso também é vaidade".  

O único ouvinte do insensato é a sua própria alma. A palavra utilizada no hebraico, que tem o mesmo sentido no texto de Lucas, significa a pessoa inteira, completa. O alvo é ele mesmo e somente ele, sem espaço para mais ninguém.

Às vezes em nossa vida caímos em insensatez, pensamos somente no nosso próprio prazer e lutamos por nossas conquistas. Olhamos para dentro de nós e somente para nós. Derrubamos, edificamos, queremos mais, para gastar mais, comprar mais, satisfazer-se mais.

Vivemos em um mundo que se torna cada vez mais individualista e busca a felicidade própria, sua satisfação. Quando não encontra, busca outros caminhos, para realizar seus desejos.

Jesus não apresenta uma nova proposta, mas surge algo no texto muito interessante.

 3)     Deus fala (v.20)

Surge no texto, ou seja, na parábola de Jesus, uma voz externa: "Mas Deus lhe disse...". Aparece alguém que é o dono de tudo e nunca foi consultado. A voz diz o seguinte: Insensato, esta noite te pedirão a tua vida (alma); e o que tens preparado, para quem será?" (v.20). Deus fala com ele. Você fez tudo para si: planejou sozinho, construiu sozinho, divertiu-se sozinho, e agora morre sozinho, pois pedirão sua vida (alma).

A vida (alma) não era dele. Logo, nada do que tinha era realmente seu. Depois de sua morte, quem ficaria com as posses. A herança seria passada para o irmão ou outra pessoa?

Nessa vida nós somos apenas mordomos. O salmo 127.3 diz que "os filhos são herança do Senhor...". Eles também foram concedidos a nós para o cuidado. A nossa vida também foi concedida, como os bens, pois tudo é de Deus. Tudo o que temos foi emprestado e será requerido. O rei Davi, em oração ao Senhor, entregando as ofertas do povo, em 1º Crônicas 29.14, diz o seguinte: "Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente? Porque tudo vem de ti, e damos a ti do que é teu".

O que faltava ao rico da parábola era à volta para Deus, que traz a sensatez. Jesus não propõe solução para o questionamento do anônimo. Ele propõe um questionamento das ações do homem, um voltar-se para Deus, pois tudo é dele, nós apenas recebemos de suas dádivas.

Você deve se perguntar: o que devo fazer então? Apresento algumas direções:

Conclusão:

Jesus coloca uma nova perspectiva para o requerente. Faz com que ele olhe para um lado que ainda não olhou, saia de si mesmo e escute a voz de Deus. O verdadeiro problema não é a divisão da herança, mas a vontade de servir o ego em vez de servir a Deus, inclusive ao seu irmão.

O problema não é o dinheiro, não é o ter, viver no conforto ou ter uma renda boa, com uma boa reserva bancária. Mas, a prisão com que fazemos e um voltar-se somente para si.  

Volte-se para Deus e viva com sensatez!

 

Venha nos visitar na IP Maracanã, todos os domingos às 18h, à rua Barão de Mesquita, 438, Tijuca-RJ.

Pr. Hélio Gomes Paulo


 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar