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Mensagem:O Fariseu e o Publicano PDF Imprimir E-mail
Seg, 14 de Novembro de 2011 10:39
fariseu-e-publicanoIntrodução:

            A prática da espiritualidade tem se tornado uma questão complicada em nosso tempo, porque não dizer uma questão de saúde. O exercício da fé genuína parece que é atitude de poucos. A grande maioria traz consigo conceitos distorcidos e pensamentos religiosos que deveriam ser colocados de lado. Muitos têm vivido confusões de pensamento e, por isso, não querem mais ir à igreja, por se acharem muito santas, acima da média e não querem se misturar com os pecadores que estão dentro das igrejas, que dizem ser crentes, mas fazem coisas horríveis. Outros, por outro lado, se acham muito pecadores e não conseguem ir à igreja, pois são indignos e não podem se misturar com os "santos".

 

Explicação:

            O texto de nossa meditação trata dessa questão de forma muito curiosa e bem desenvolvida. Jesus, mais uma vez, se utiliza de uma parábola para ilustrar seu ensino. Ele já havia contado a parábola do Juiz injusto (iniquo) e, agora, conta outra parábola, com o objetivo de ensinar, contrapondo o pensamento de alguns: "Contou também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, achando-se justos, e desprezavam os outros" (Lucas 18.9). Essa parábola remete a atitudes de alguns religiosos da época, que praticavam a lei, observando todos os preceitos.

            Jesus começa a história dizendo assim: "Dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu e o outro, publicano" (Lucas 18.10).  Observem a introdução de Jesus falando que dois homens subiram ao templo, foram para a igreja (coloco igreja para contextualizar nossa meditação). Os dois subiram. Duas classes distintas, um fariseu e um publicano. Os fariseus eram os homens da lei e da observância. Eram religiosos praticantes e fervorosos, cumpridores dos seus deveres. Isso é bom e justo. Não há o ataque de Jesus nessa questão, não diminui e nem fala que estão errados, apenas relata que um subiu para a oração. O segundo, o publicano, que era visto como traidor, pecador e descumpridor de alguns preceitos, pois cobrava taxas exorbitantes e compactuava com certos esquemas da época. Ele também sobe ao templo para orar. Os dois sobem. Os dois vão à igreja para a oração!

            Vamos compreender um pouco o cenário da história. Os dois vão para a oração porque está na hora do Culto. Havia dois momentos durante o dia para a prática religiosa. Dois Cultos, com expiação dos pecados, chamado de purificação de sua maldade. O sacerdote colocava a gordura do animal e queimava no altar, subindo muita fumaça. Jogava o sangue do animal sobre as pessoas, purificando-as. Havia também o momento da oração particular, quando abria a comunicação com Deus, através do sacrifício e perdão e os participantes podiam orar e fazer suas petições. As preces eram comuns e feitas no meio das pessoas.

            A prática ritual estava ali. Os dois foram para o Culto e estão no momento da oração pessoal. A atitude de cada um vai revelar sua crença e sua confiança. Vai dizer como eles são, onde estão as bases da fé e o que eles acreditam. Essa história nos remete a nossa vida e a reflexão de como devemos proceder e onde colocamos nossa confiança. Em que você acredita?

            Vamos caminhar nas atitudes dessas duas pessoas e pensar como praticaremos a espiritualidade em nosso tempo. Veja, com esses dois personagens, como tem sido sua atitude e o que precisa mudar em sua vida para ter saúde espiritual!

 

Tema: A Espiritualidade Saudável!

 

1 - O Fariseu

            Homem sério em sua época, de plenas convicções, religioso e operoso praticante da lei e fé. Subia ao templo, oferecia sacrifícios, fazia suas orações, adorava a Deus e mantinha-se longe de qualquer coisa que considerava impura, até mesmo das pessoas. Havia a crença de que um pecador era impuro e até mesmo o encostar em suas vestes trazia impureza. Por isso, na oração no templo, ele estava afastado do publicano. Cumpria tudo o que lhe cabia e, as vezes, ia até além do estabelecido.

            Ele começa sua oração particular, no momento apropriado, quando o sacrifício do cordeiro havia coberto os pecados de Israel e o caminho para Deus estava aberto, podendo as pessoas se aproximar de Deus. Ele faz isso e inicia sua oração pessoal.

A parábola vai descrever suas intenções na oração. Observe, pois Jesus se refere à maneira de orar, pois o fariseu se considerava justo e de fato desprezava os outros. O seu estado de pureza era demasiadamente importante, por isso se afasta do impuro, das pessoas que considerava impuras. O autor chamado Kenneth Bailey, em seu comentário sobre as parábolas de Jesus, diz que "a oração, na vida piedosa judaica, incluía primeiramente a expressão de agradecimentos / louvor a Deus por todos os seus dons, e petições referentes às necessidades do adorador".  Continue observando e veja que o fariseu não tem nada a pedir. Ele segue o modelo e expressa sua gratidão a Deus e o louva pelos seus dons. Mas não faz nenhum pedido. Será que ele não tem nada para pedir? Se considera tão satisfeito que sua justiça está acima de tudo? Ele é operoso praticante da lei e cumpre tudo o que é exigido.

Pense bem nessa questão, pois isso pode ser uma prática nossa também. Às vezes nos consideramos acima de muitas pessoas, pois não roubamos, matamos, subornamos, não somos infiéis no relacionamento, pagamos nossos impostos, vamos à igreja, entregamos o dízimo... Mas, no caso do fariseu cai a máscara da espiritualidade, pois, com certeza em sua língua felina havia muito pecado.

Sua oração é um ataque. Fala mal das pessoas na oração: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como esse publicano" (Lucas 18. 11). Em sua oração ele fala de suas qualidades e práticas: "jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho" (Lucas 18.12). Ele ostenta sua justiça própria orgulhosamente. Aliás, ele faz mais do que o prescrito pela lei. Moisés estipulou um jejum por semana para o dia da expiação. O fariseu argumentou em sua oração que jejuava duas vezes por semana. Fazia mais que a lei pedia. Na questão do dízimo, era estipulada a colheita agrária. Ele vai além e entrega o dízimo de "tudo quanto ganhava".

O ensino de Jesus está na base da fé. Em quem você coloca a fé? Em você mesmo? Você é a base? O fariseu era! Ele tem justiça própria, acreditava no seu cumprimento, em suas observações. Aliás, ele não era como o publicano, sua classe era outra, não se envolvia com aquelas práticas do publicano, não errava, não pecava, fazia tudo certinho. Será que ele precisava de Deus para alguma coisa? Ele era um cumpridor do estabelecido e não saía nem uma vírgula fora do estipulado. Era o cara! No entanto, sua oração era de si para si. Ficou de pé, isolado, afastado dos pecadores, limpo, puro, suficiente, fazia críticas e se vangloriava de ter excedido as exigências da própria lei. Ele se orgulhava de sua observância e de sua ação exemplar.

Será que você é assim também? Tem justiça própria e ora de si para si? Jesus questiona esse procedimento e chama a atenção dos seus ouvintes para a prática saudável da espiritualidade. Jesus não condena e nem retira praticar o certo. O que ele chama a atenção é achar que somente cumprindo a lei estamos fazendo o suficiente, que só dependemos disso para nos considerarmos justos e puros, grandes religiosos.

 

2 - O Publicano

            A parábola que Jesus conta tem um contraste frontal. Esse contraste é logo visto na descrição de cada personagem e em suas orações (ações).

            O publicano coloca-se em pé e de longe ora. Esse longe não significa um distanciamento por ser puro e não querer se contaminar. Mas, pelo contraste, ele se afasta porque é pecador e não quer contaminar os outros. Sua atitude já revela suas intenções, pois ele não se afasta com indiferença. Inicia sua oração e expressa sua petição, sua prece, numa ação dramática inesperada.

            Na época que Jesus conta essa história a postura de oração utilizada era cruzar as mãos sobre o peito e conservar os olhos baixos (essa atitude ainda é realizada em alguns lugares, por vários grupos religiosos). Mas, suas mãos não ficam paradas, elas se movimentam e batem no peito. Esse gesto dramático, com punhos cerrados batendo no peito significava que a ocasião era de extrema angústia ou intensa ira da pessoa. Quase não há citação na Bíblia sobre essa atitude. Temos esse relato e o relato ao pé da cruz, que diz assim: "Toda a multidão que havia presenciado isso (a crucificação), vendo o que acontecera, retirou-se lamentando profundamente" (Lucas 23.48). Esse lamentar-se profundamente era a batida no peito de quem vive uma angústia extrema. Podemos verificar em algumas culturas que na hora de intensa dor a pessoa, arranca os cabelos, se corta, bate com a cabeça na parede ou fica chutando coisas. Na parábola, ele batia no peito e falava: "tem misericórdia de mim, um pecador!" (Lucas 18.13).

            Torna-se importante uma análise da parábola e perceber qual era o ensino de Jesus. O publicano pede misericórdia e bate no peito, no coração. É muito significativa a atitude do orante. Por que no peito? Será que o coração é a fonte de todos os maus pensamentos? Do coração procedem todos os maus desígnios? Vejamos alguns textos bíblicos que nos falam sobre o assunto: "Porque do coração é que saem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, imoralidade sexual, furtos, falsos testemunhos e calúnias" (Mateus 15.19). Provérbios 4.23 diz que "acima de tudo que se deve guardar, guarde o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida". O profeta Jeremias disse que o "coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode conhecê-lo?" (Jeremias 17.9). Deus conhece. Só Ele pode. O publicano reconhece e pede para que a expiação, o perdão seja feito por ele.

            O publicano se encontra no Culto da expiação, da purificação. O sacrifício já foi feito e as pessoas podiam se aproximar de Deus e fazem suas orações particulares. Ele olha para dentro de sua alma e reconhece que precisa do perdão que vem do alto: tem misericórdia de mim, um pecador! Ele está consciente que precisa do perdão, pois não tem merecimento próprio, é indigno, precisa que Deus faça por ele.

            Quero deixar claro que Jesus, em nenhum momento valoriza a questão do publicano e suas ações aceitando os esquemas da época. O que Jesus conta na parábola é que não é o que fazemos de bom ou certo que nos justifica diante de Deus, mas um coração quebrantado e arrependido, sabedor que somente Deus pode fazer por nós.

            No final do texto lucano, Jesus é levado para cruz, morre ali, mas ressuscita ao terceiro dia na sepultura. Sua ressurreição traz vida, seu sacrifício naquela cruz traz perdão para o pecador. Ele fez por nós! Aleluia!

 

Conclusão

            Olhe para a inversão na descida do templo, da igreja. Lembra que na subida para o templo o fariseu vai primeiro. Agora, o publicano desce primeiro e justificado. O fariseu, religioso, cheio de si, desce depois e não foi justificado. O autor Kenneth Bailey, em seu comentário sobre as parábolas de Jesus disse que "O fariseu estava perdendo tempo. Aquele que tem justiça própria volta para casa sem ser justificado. O sacrifício do cordeiro pelos pecados do povo foi feito, mas os quebrantados de coração, que se achegam indignamente, confiando na expiação de Jesus Cristo, só esses acertam a sua situação para com Deus".

            Pergunto: com quem você se parece? Quais têm sido suas atitudes no Culto, na igreja. Talvez você se acha justo demais, certinho demais e não precisa de Deus e nem da igreja. Ou você se acha o pior de todos os pecadores, mas também não quer saber de Deus e da igreja.

            Convido você para viver a espiritualidade saudável. Coloque sua vida nas mãos de Deus, pede perdão, pede para que Ele faça por você, tome sua vida, seu coração. Ele é Deus perdoador, misericordioso e nos ama profundamente.

            Ah, não é por isso que você não precisa fazer o certo em sua vida. Ande com Deus e pratique a Palavra dele todos os dias. Assim, você verá como é bom seguir nessa vida com Jesus! Que Deus o(a) abençoe!

                                                                                                                Pr. Hélio Gomes Paulo 

Última atualização em Seg, 14 de Novembro de 2011 10:44
 

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